GEEU - Parecer sobre o novo sistema de ancoragem

Flávio C. Bannwart flavio.bannwart em gmail.com
Ter Jul 5 13:01:47 BRT 2016


Pessoal, não existe mágica.

Para uma mesma velocidade de descida do escalador, a energia total
dissipada por unidade de tempo (ou seja, potência) será SEMPRE a mesma.
Como, a grosso modo, potência = força x velocidade, podemos concluir que,
se há menor força de atrito na ancoragem, necessariamente deverá haver uma
maior força de atrito exigida no freio do segurador (mantida a nossa
velocidade considerada segura de descida).
Aí está aplicada a Lei da Conservação de Energia.
Isso pode ser pensado também em termos de equilíbrio de força.

De um jeito ou de outro, a energia potencial do escalador deve ser
dissipada em duas partes na corda (ancoragem + freio do seg.) e também em
uma parte nos músculos do braço do seg. (há aqui uma variação grande
individual, claro).

A força de atrito é proporcional ao raio da ancoragem (para um mesmo
acabamento superficial).
Portanto, a única possibilidade da ancoragem de tubo oferecer o mesmo
atrito de um mosquetão é se a sua superfície for mais rugosa.
O problema de uma eventual superfície rugosa é que ela, com o uso, vai
fatalmente se alisar (o trocadilho aqui é proposital).

Vejo três cenários possíveis para tratar a questão com segurança:

A) Deixar como está: ancoragens de mosquetão;
B) Instalar ancoragem de tubo com a correspondente ancoragem no chão e
gri-gri (acho essa solução complexa, cara e inapropriada para ambiente
aberto);
C) Instalar ancoragem de tubo sem a ancoragem no chão, mas com um atrito
adicional muito bem projetato e testado e confiável, tipo um cordão
metálico soldado formando uma crista em cima do tubo, como propus em email
anterior.

Nos casos B e C deve haver um tratamento de engenharia, e deve haver um
engenheiro responsável assinando o projeto, inclusive emitindo ART
(Anotação de Responsabildade Técnica), através da qual ele se
responsabiliza por 5 anos.

Devemos lembrar que há vidas em jogo.



Em 5 de julho de 2016 11:54, Pedro Augusto <7pedrodjekic em gmail.com>
escreveu:

> No teste realizado pelo suporte no dia da instalação, senti que na queda
> houve uma diferença sim na elevação do segue. Concordo com o Johann que
> deve ser melhor avaliado essa questão e que se confirmada, a ideia de ter
> pontos de fixação no chão deva ser aplicada.
> Minha percepção a respeito de testar o sistema: NÃO farei outra vez.
> Sabemos que é uma montagem pra teste e não definitiva, está instável e
> agora, depois do crash test, torta. Minha sugestão é que ninguém invente de
> subir naquilo e que seja desmontado o quanto antes.
>
> Alguns pontos quanto a funcionalidade e sugestões:
> a) Senti uma diminuição significativa no atrito durante um seg anterior e,
> mesmo com um escalador leve, a hora da descida exige um cuidado maior com o
> grigri;
>
> b) A questão de o seg voar ou não numa queda ainda não está clara e
> acredito que mais testes deveriam ser feitos. A primeira experiência em
> menor altura (~2,5m) houve sim um pulo do seg enquanto que na segunda
> experiência (aquele que o Hugo acompanhou e a ~5,5m) não. Acredito que a
> corda foi "travada" na quina do sistema quando ele entortou e isso aumentou
> o atrito;
>
> c) O João levantou uma questão que já tínhamos pensado também. Temos que
> pensar num material ou tratamento que efetivamente conserve as cordas, já
> que o sistema estará exposto ao tempo;
>
> d) Uma ideia que pensamos ser adequada é limitar o deslocamento lateral da
> corda no tubo através de alguma barra ou disco soldado e sem os cantos
> vivos das quinas do suporte.
>
> Como o Rafacho disse e eu concordo, o sistema é promissor. Contudo devemos
> elaborar melhor esse projeto e avaliar os prós e contras envolvidos.
>
> Acredito que uma assembléia pra discutir esse e outros assuntos pendentes
> sobre o tema reformas é válida.
>
> Abs.
> Johann
>
> Em 5 de julho de 2016 10:27, joao ricardo gonçalves <
> joaoricardocg em gmail.com> escreveu:
>
>> Pessoas responsáveis pelo teste,
>> Obrigado pelo parecer.
>> Esse sistema já era utilizado em alguns ginásios aqui de Campinas.
>> Justamente com esses tubos e sempre funcionaram muito bem. Nunca teve
>> problema com segurança sair voando de forma estranha e etc, além de
>> conservar muito bem a corda.
>> Um problema que fica na minha cabeça agora é quanto a ferrugem nos tubos.
>> Eles vão ficar ao ar livre e podem sofrer com isso. Pintar o tubo não é uma
>> boa solução, pois a corda ao atritar vai absorver toda a tinta... como
>> proceder?
>> Boas escaladas.
>>
>> Em 5 de julho de 2016 10:22, Hugo Rafacho Fernandes <
>> rafacho.hugo em gmail.com> escreveu:
>>
>>> Ontem a noite eu, Barbara, Kleidison e nosso querido boneco de testes
>>> Johann testamos o novo sistema de ancoragem com o tubo.
>>>
>>> Com base no crash test executado rejeitamos o selo suporte de qualidade
>>> pelos seguintes motivos:
>>>
>>> - A solda da ancoragem feita no teto do prédio se rompeu.
>>> - Um dos mosquetões da corrente estava aberto.
>>>
>>> Quanto ao atrito, o sistema pareceu se comportar de forma semelhante ao
>>> atual com mosquetões.
>>> Testamos com um seg. 16kg mais leve que o escalador e uma queda razoável
>>> para os padrões do muro e não sentimos muita diferença no seg. levantar vôo
>>> ou coisa do tipo.
>>>
>>> Dessa forma, concluímos que o sistema parece promissor, porém, deve ser
>>> alterado o sistema de fixação (como já era previsto).
>>>
>>> Att,
>>> Rafacho
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